OTCA lança primeiro Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia
Autor: Paula Drummond20 de agosto de 2026
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) lançou a primeira edição do Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia, publicação periódica produzida com o apoio técnico do Observatório Regional Amazônico (ORA). Disponível em português, espanhol e inglês, o boletim apresenta uma visão integrada das condições ambientais da região e destaca tendências que exigem acompanhamento nos próximos meses.
A publicação reúne informações sobre precipitação, temperatura, focos de calor e áreas queimadas na Amazônia. Os dados são processados e analisados regionalmente pelo ORA a partir de fontes reconhecidas, como ERA5/ECMWF-C3S, Aqua-T/NASA/INPE e MODIS/MCD64A1.
A iniciativa contribui para o cumprimento dos compromissos estabelecidos nas Declarações de Belém e de Bogotá, que reconhecem a importância da produção e do intercâmbio de informações científicas para fortalecer a cooperação entre os Países Membros da OTCA.
Em sua mensagem de abertura, o secretário-geral da OTCA, Martín von Hildebrand, ressalta que o monitoramento contínuo do El Niño e a integração de dados confiáveis são fundamentais para antecipar impactos e fortalecer a preparação e a resposta coordenada dos países amazônicos.
“A Amazônia fala por meio dos dados. Nossa responsabilidade é transformá-los em ações coordenadas para construir um futuro sustentável para a região”, afirma o secretário-geral.
Chuvas permaneceram próximas da normalidade em grande parte da região
A primeira edição, publicada em agosto e referente a julho de 2026, mostra que aproximadamente 75% da área da Bacia Amazônica apresentou precipitações dentro da normalidade climatológica. Cerca de 18,8% registraram chuvas abaixo do esperado e 6,2%, acima da média.
Os menores volumes de precipitação ocorreram no sudeste da Bacia Amazônica, principalmente nas sub-bacias dos rios Juruena, Teles Pires e Xingu. Nas regiões norte e noroeste, os maiores acumulados foram observados nas sub-bacias dos rios Napo, Trombetas, Içá, Negro e Branco.
Embora tenham predominado condições próximas da normalidade, o boletim identifica a ampliação de uma área com anomalias negativas de precipitação. Os déficits mais acentuados foram registrados nas sub-bacias de Uatumã-Nhamundá, Negro, Branco e Trombetas.
A situação da sub-bacia do rio Negro merece atenção especial, pois apresentou tendência seca em fevereiro, abril e julho. A persistência desse quadro pode afetar as vazões dos rios e a umidade do solo, além de ampliar as condições favoráveis à ocorrência de incêndios florestais durante o período seco.
Em julho, a precipitação média na Bacia Amazônica foi de aproximadamente 90 milímetros, cerca de 10 milímetros abaixo da média climatológica do período.
Temperaturas acima da média avançaram sobre a Bacia Amazônica
A temperatura média observada em julho foi de aproximadamente 24,68 °C, o que representa uma anomalia positiva de 1,18 °C em relação à média histórica.
Os mapas dos últimos três meses mostram que as faixas de temperatura entre 26 °C e 30 °C avançaram principalmente pelas regiões central, norte e leste da Bacia Amazônica, com aumento expressivo no eixo entre Santarém e Manaus.
As temperaturas mais baixas permaneceram concentradas no oeste da região, sobretudo nas áreas de maior altitude próximas à Cordilheira dos Andes.
Focos de calor diminuíram em julho, mas cresceram no acumulado do ano
Em julho de 2026, foram registrados 2.757 focos de calor na Amazônia, redução de 38,5% em comparação com julho de 2025. Desse total, 364 ocorreram em Áreas Naturais Protegidas e 542 em Territórios Indígenas.
Apesar da redução mensal, o acumulado do ano apresentou comportamento diferente. Entre janeiro e julho de 2026, foram identificados 19.991 focos de calor, aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025. Desses registros, 2.524 ocorreram em Áreas Naturais Protegidas e 2.340 em Territórios Indígenas.
As formações florestais concentraram o maior número de focos no período, com 7.412 registros, equivalentes a 37% do total. Em seguida aparecem as pastagens, com 4.926 focos, e as formações campestres, com 3.102.
Área queimada aumentou entre janeiro e maio
Os dados disponíveis sobre área queimada abrangem o período de janeiro a maio de 2026. Nesses cinco meses, a Amazônia registrou 6.254 km² de área queimada, aumento de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Desse total, 850 km² ocorreram em Territórios Indígenas e 720 km² em Áreas Naturais Protegidas. Somente em maio, foram queimados 888 km², volume 48,2% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.
As formações campestres concentraram a maior extensão afetada pelo fogo entre janeiro e maio, seguidas pelas pastagens, pela agricultura, pelas áreas inundáveis e pelas formações florestais.
Informação regional para apoiar decisões
O Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia foi desenvolvido para ampliar o acesso a informações sobre os oito Países Membros e apoiar a identificação de tendências, riscos e áreas que demandam atenção.
Ao reunir dados de diferentes fontes e apresentá-los em uma perspectiva regional, a publicação busca apoiar a tomada de decisão, ações de prevenção e respostas coordenadas..
Acesse o Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia:



