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RAISG apresenta resultados sobre ciência e saber indígena para o ORA

Autor: Paula Drummond30 de abril de 2026
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A Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG) realizou, no dia 28 de abril, uma visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília, para apresentar os principais resultados do projeto “Ciência e Saber Indígena para a Governança da Amazônia” e fortalecer a cooperação regional baseada no uso de dados e evidências para a tomada de decisões.

O encontro reuniu representantes da RAISG, da OTCA e lideranças indígenas, com o objetivo de discutir como a integração entre ciência e saberes tradicionais pode contribuir para a governança amazônica e para a agenda climática regional e internacional.

Durante a abertura, a diretora administrativa da OTCA, Edith Paredes, destacou a importância do intercâmbio de informações para a agenda regional e para alimentar os sistemas de dados voltados ao uso dos Países Membros da OTCA. Também ressaltou que o intercâmbio de dados ainda está em construção entre os países amazônicos, mas que iniciativas como esta contribuem para avançar o debate. “Contar com informações produzidas em outros espaços é de suma importância para a análise do estado da região amazônica”, afirmou.

A secretária executiva da RAISG, Julia Alfonso, enfatizou o caráter colaborativo do encontro e o papel da rede na cooperação regional. “A ideia desta reunião é pensar uma missão internacional da Amazônia, com foco na nossa cooperação regional”, afirmou, ao destacar o compromisso das organizações que integram a rede.

Na apresentação dos resultados, Renzo Piana, da Junta Diretiva da RAISG, destacou evidências sobre o papel dos territórios indígenas na estabilidade climática. Segundo ele, os dados mostram que a perda de carbono é significativamente menor nessas áreas. “Sem uma governança adequada, a quantidade de carbono que será emitida tende a ser maior”, alertou, ao defender o fortalecimento da governança territorial como estratégia central para conter o desmatamento e as emissões.

A dimensão indígena foi reforçada por Carlos Lozano, jovem liderança da Amazônia peruana, que destacou o papel das comunidades na proteção dos territórios. “Somos nós que estamos no território e não apenas sofremos as consequências, mas também somos quem o protege com nossos costumes e tradições”, afirmou. Ele também chamou atenção para a importância da segurança jurídica das terras indígenas.

Pelo ORA, Arnaldo Carneiro destacou a convergência entre as agendas de ambas as instituições e a importância da transparência e da multiplicidade de fontes de dados. “Na Amazônia, mais importante do que ter um dado exemplar é ter dois dados”, afirmou, ao defender a combinação de diferentes metodologias e conhecimentos para compreender a dinâmica regional.

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