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Tecnologias ampliam monitoramento de florestas e carbono

Autor: Paula Drummond5 de maio de 2026
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O Observatório Regional Amazônico (ORA/OTCA) recebeu, no dia 5, uma apresentação técnica da organização sem fins lucrativos de ciência e tecnologia CTrees sobre novas ferramentas de monitoramento florestal baseadas em sensoriamento remoto e modelagem de carbono. A iniciativa faz parte dos esforços do ORA para identificar e avaliar soluções capazes de fortalecer a capacidade dos países amazônicos de compreender e responder às transformações em curso na região.

A CTrees desenvolveu um sistema global para monitorar, reportar e verificar estoques de carbono e atividades de uso da terra em ecossistemas terrestres. Criada em 2022 na Califórnia (EUA) por cientistas, seus produtos vêm  sendo utilizados por governos e organizações internacionais para medir impactos de programas e projetos.

A apresentação ao ORA e convidados abordou conjuntos de dados capazes de acompanhar, com alta resolução espacial e temporal, dinâmicas como biomassa florestal, degradação, emissões de carbono e mudanças na cobertura vegetal. Entre os avanços discutidos estão séries históricas que cobrem mais de duas décadas e sistemas com atualizações frequentes, que permitem detectar alterações na floresta e indicar possíveis causas, como fogo, exploração madeireira ou abertura de estradas.

Também foram apresentadas metodologias para estimar estoques de carbono, altura do dossel e processos de regeneração florestal, além de modelos que integram variáveis ambientais para apoiar a análise de risco de incêndios.

Para o diretor do ORA, Arnaldo Carneiro, o interesse está na aplicação concreta dessas ferramentas no contexto amazônico. “Estamos no centro de uma rede que conecta oito países e nosso papel é identificar as melhores soluções disponíveis, adaptá-las às realidades locais e garantir que cheguem a quem toma decisão”, afirmou o coordenador.

Segundo Carneiro, há uma demanda crescente por dados que ajudem a antecipar eventos extremos e compreender a dinâmica da degradação florestal. “Temos um senso de urgência em relação ao clima e ao fogo. Precisamos de ferramentas que nos permitam entender melhor como a floresta responde a essas pressões ao longo do tempo” disse Carneiro.

A apresentação foi conduzida por Janet Smith, diretora de desenvolvimento do CTrees, que destacou o esforço de ampliar o acesso a dados ambientais de alta qualidade. “Nosso objetivo é que esses dados sejam utilizados e gerem impacto. Isso só acontece quando trabalhamos em colaboração com instituições locais, que conhecem o território e podem orientar o uso mais adequado das informações”, disse. Ela ressaltou que parte dos dados já está disponível publicamente e que há interesse em desenvolver aplicações conjuntas com parceiros na Amazônia.

A discussão reforçou prioridades do ORA para 2026, com foco em clima, fogo e água. Nesse contexto, ferramentas voltadas ao monitoramento da degradação florestal e à previsão de incêndios ganham relevância estratégica. Modelos apresentados indicam que a combinação de informações sobre combustível vegetal, umidade e padrões climáticos pode contribuir para identificar áreas de maior risco e apoiar ações preventivas.

Outro ponto destacado foi a importância de construir soluções com participação dos países amazônicos. A adoção de bases de dados globais depende cada vez mais de processos colaborativos, que envolvam instituições nacionais na adaptação e validação das informações.

O encontro também abriu caminho para o aprofundamento técnico em temas prioritários e para a realização de novas sessões com especialistas da região. A expectativa é avançar na integração de dados relevantes às plataformas do ORA e explorar oportunidades de cooperação futura em projetos voltados à adaptação climática.

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